sábado, 9 de outubro de 2010

Lágrimas injustificadas, sofrer em silêncio [part I]

      Hoje eu penso em tudo o que aconteceu meses atráz, cada gesto feito, cada sentimento expressado, cada dor sentida. Mas toda vez que penso nisso, eu fico ainda sem saber o que dizer sobre o que eu realmente senti sobre esses momentos, bons e ruins, é difícil para mim entender como e porque aconteceram tais coisas, mas nada muito fora do comum, para um adolescente.
      Era um domingo, final de ano, todos viajando e eu sozinho em casa fugindo um pouco da realidade enquanto todos saíam nas ruas para beber, festejar...Enfim. Fiquei pensando no que o meu amigo disse dias atráz: - Daniel, vamos fazer uma festa, com muito álcool e cigarros? - Rodrigo perguntou pra mim, e eu não aceitei na hora. Mas como estava intediado, acabei ligando pra ele e pedindo para trazer bebidas e algumas pessoas. Uma hora depois, depois que todo mundo chegou, minha casa já estava toda bagunçada, suja, todos já começando a ficar alterados, e eu um pouco tonto mas sem largar minha garrafa de Uísque. Eu não estava ligando se no dia seguinte eu estaria bem ou mal, pra quê ligar pra isso? Eu não ia lembrar direito o que aconteceu mesmo, mas lembro que uma menina havia me puxado pela camisa, colocou a mão na minha nuca enquanto me beijava, coloquei minha bebida em cima da mesa para encostá-la contra a parede. Sem se quer trocamos uma palavra, 5 minutos depois ela tira minha camisa e começa a beijar meu corpo, pega uma garrafa de Jack Daniel's e bebe sem parar até que derrepente eu vejo ela desmaiando, segurei em sua cintura, peguei a  garrafa dela para mim enquanto eu a deitava no chão. Passam-se alguns minutos e derrepente eu paro em frente a tv, olho a casa bagunçada, pessoas bebendo e dançando, algumas até deitadas no chão e me pergunto: "É dessa bagunça mesmo que eu gosto?".
      No mesmo dia, de manhã, eu acordei como se um caminhão tivesse passado por cima de mim ou se tinham me apedrejado e eu não consegui morrer, estava cansado, mas tirando isso achei que tava tudo bem, até eu chegar na sala e ver toda aquela bagunça, e eu tinha que arrumar porque meus pais iam chegar ainda naquele dia, de tarde. Passei o dia arrumando a casa e atendendo telefonemas de amigos, e cada vez que o telefone tocava, eu temia que fossa meus pais dizendo que já estão a 5 minutos daqui enquanto eu estava no meu da limpesa ainda, mas depois de 2 horas eu acabei, e ainda deu tempo de tomar um banho, colocar uma roupa melhor, comer alguma coisa e descansar. A campainha toca, vou até a porta e recebo meus pais, mas eles já chegam irritados, reclamando da viagem, reclamando de tudo, e eu nem me meti a perguntar se a viagem foi boa. Peguei duas malas no carro e levei até a sala de casa, e meu pai vem com essa: - Eu não pedi pra pegar minhas malas, não sabe nem o que tem aí dentro, você pode quebrar! - Então eu deixai as malas encostas na parede e fui para o meu quarto assistir tv. É foda quando se quer ajudar alguém e esse alguém te trata como se você fosse um pedreiro de 4 filhos pra criar.

Lágrimas injustificadas, sofrer em silêncio [part II]

       Um mês depois, eu estava me preparando para o prmiero dia aula, em outra escola, e como sempre eu sei que pelo ao menos alguém vai rir de mim na escola, por eu ser 'diferente da sociedade', é sempre um saco, ver como as pessoas ainda são ignorantes, e mais chato ainda, é saber que elas não querem mudar, nem saber se estão certas ou erradas. O primeiro dia: Entrei na escola, com meu jeito um pouco tímido, subi logo para a aula porque cheguei atrasado, entrei na sala de aula com um sorriso no rosto, não pra demonstrar simpatia, e sim porque eu estava feliz de estar numa escola nova. Eu penso no 'primeiro dia de aula' como uma mudança em nossa vida: Novos amigos, novas idéias, talvez uma namorada, mas enfim, não vou falar disso agora. Eu conversava com quem olhava pra mim e sorria, porque eu pensava que essa pessoa não ia me julgar, fiz amizade com todos ao longo do tempo, até gente fora da minha turma queria saber quem era aquele menino de estilo diferente, estilo indefinido, para alguns já era "o doido", mas pra mim, eu sou só um roqueiro pouco diferente. Conheci muita gente já nos primeiros dias, mas depois essas pessoas foram se afastando, alguns que eu conversava todo dia, hoje nem olham na minha cara. O motivo? Não sei ainda, e não sei se é um bom motivo, até porque eu sempre fui amigo quando precisaram, fui palhaço quando quiseram, eu tentei ser eu mesmo pra fazer as pessoas gostarem de mim, umas eu falo até hoje, mas outras não, e nem vou correr atráz pedindo pra falar comigo. Algum tempo depois as pessoas pareciam estar contra mim. Cada vez que eu ia pra escola, eu queria estar sozinho porque só assim eu entendo o que eu to sentindo, então meus vícios foram crescendo, eu saia cedo de casa pra ir pra escola, e voltava tarde, já de noite, pra ficar na rua fumando, não ligando pro que poderia acontecer, não ligando pro que os outros iam dizer sobre mim, mas o que eu só queria mesmo era alguém pra conversar, pra me entender, pra me dar amor quando não existir amor em volta de mim, mas ninguém liga pro que uma pessoa diferente pensa.
       Dias depois, conheci uma menina através de outra amiga, o nome dela era Fernanda e nós começamos a conversar e vimos que tinhamos coisas em comum, os mesmos estilo de músicas e blá blá blá. Eu estudava de tarde, e ela de manhã, mas queríamos arrumar um jeito de nos vermos, mas só dava no fim de semana, como eu estava, pra não ser como uma história de amor como são sempre contadas, eu vou ser sincero, ela não tinha nada de especial, nem um olhar que me chamasse tanta a atenção. Depois de um tempo, reparei que a única coisa que realmente me dispertava interesse nela, era que em várias coisas nós tinhamos a mesma opnião. Poucas semanas depois nós terminamos, nem ela também sabia direito o porque terminamos, eu era novo, Fernanda foi minha primeira namorada, e um dia ela quis, digamos que, 'avançar' um pouco o nosso namoro, se é que me entende, mas nós sabíamos que nenhum dos dois estavamos prontos. Admito, gostava da companhia dela, só não gostava de certas coisas que ela fazia, fez e ainda faz, mas é o jeito dela, não vou julgar...Quer dizer, não podia falar, mas pensar.
      Lembro de um fim de semana em que eu chamei a Fernanda para vir pra cá e ficarmos na praia à noite, olhando as ondas baterem nas pedras da praia, era tão bom, a lua era só nossa  e o amor era do destino. Eu começei a faltar as aulas da escola, indo pra casa da Fernanda, por causa do meu mau relacionamento com as pessoas da escola, não queria olhar pros outros e ouvirem eles perguntando o motivo de eu ter 'nascido assim'. Conhecia sua familia, mostrei que eu não era qualquer um, menti para eles dizendo que eu não estudava de tarde, pra não reclamarem comigo por eu estar matando aula. O tempo foi se passando e cada vez nós estavamos pegando intimidade um com o outro, nos conhecendo mais a cada dia que passava, a cada beijo de amor, e eu pensava que poderia dar tudo certo, é fácil errar quando se é um adolescente, o mundo é muito difícil de se entender, mas fácil de se confundir com coisas novas

Lágrimas injustificadas, sofrer em silêncio [part III]

      Palavras de ajuda, sentimento de força...Sem a Fernanda, encarei meus problemas com a opção de desistir bem na minha face. Eu já estive bem perto de desistir de absolutamente tudo, parecia que tudo ia continuar como estava, que não ia acabar ou no mínimo, mudar. Eu levantaria os braços, olharia pra cima e diria o quanto eu sou fraco, porque é fácil demonstrar fraquesa quando se tem o primeiro grande problema, eu até poderia conversar com alguém, mas a consolação não me ajudaria em nada, eu acho que consegui arrancar da minha alma, uma força para fazer as coisas que eu sempre sonhei, transformar minhas ideologias em algo que ajude os outros, não se pode continuar sonhando se você acha que não pode tranformá-lo em realidade.
      Ir para a escola pra mim, já estava sendo algo mais confortante, concertei alguns problemas mas ainda não estava bem em relação as notas, passei a frequentar mais as aulas, participei de algumas oficinas, a de música era a minha preferida, conheci pessoas interessantes, aprendi mais sobre música. Sabe, quando eu converso com alguém que eu mal conheço, me pergunto o que se passa na cabeça daquela pessoa, em relação à escola, adolescência, amizades, o futuro...Acho que os jovens pensam mais no que vão fazer daqui a 5 minutos do que o que vão fazer daqui a 5 anos. Eu pensava em muitas coisas quando estava sozinho, na rua ou na escola, antes eu me preoculpava em ter amigos, hoje eu me preoculpo em ter responsabilidade. Muitos ainda me olham de um jeito diferente, mas e daí? Pra quê ser normal, se sendo diferente nós podemos criar e ser reconhecidos? É isso o que eu penso até hoje.
      Eu geralmente uso a música pra fazer com que eu me sinta bem, que eu não me sinta sozinho, como se cada acorde, cada melodia me desse algo que eu realmente precisasse no momento, que ninguém poderia me dar. Eu procurava me envolver mais com minha alma, me conhecer melhor, mostrar pra mim mesmo o que eu queria realmente, o que eu vim fazer aqui nesse mundo. Eu acordei, abri meus olhos e vi como o mundo realmente é.